Mc Niack emplacou os maiores hits da pandemia sem nunca ter pisado em um palco

 

“Estou me preparando, já que eu nunca subi num palco”, diz, rindo, um garoto com o cabelo parte raspado, parte rosa, em frente a uma parede branca. “Comecei totalmente na internet. Nunca tinha feito show, e essa pandemia aí me ajudou a crescer a música. As pessoas estão em casa, ouvindo música, querendo se entreter.”Ele é MC Niack, a voz da música mais tocada do Brasil agora. Só durante a última semana, e só no Spotify, a faixa “Oh Juliana” foi ouvida mais de 5 milhões de vezes, números que se mantém elevados desde que ela foi lançada, em julho.

Niack é de Ribeirão Preto, no interior paulista, mas deu entrevista de Jundiaí, também no interior, no escritório de seu novo empresário, preparando o lançamento de uma carreira “física”. Seu sucesso é um resultado direto da pandemia, um artista que surgiu e estourou enquanto as festas e eventos com aglomerações –onde em geral essas músicas dançantes emplacam– estão proibidos.

Mas o sucesso de “Oh Juliana”, ainda que surpreendente, é uma sequência de “Na Raba Toma Tapão”. O hit anterior de Niack não só chegou ao posto de música mais ouvida do país, como estacionou nessa posição por meses depois que chegou lá, em maio –e ainda hoje está entre as 20 mais tocadas no Spotify.

“Ano passado fiz um canal [no YouTube], e comecei a lançar músicas”, diz o MC paulista, que ainda não chegou à maioridade. “Mas não gostei, apaguei tudo e comecei de novo. Sozinho, sem investimento nenhum. Fiz contatos e fui ganhando visibilidade.”As duas músicas que renderam a um artista então desconhecido o cobiçado número um do Spotify –à frente de Anitta e Marília Mendonça, entre outros– vieram após um momento de baixa.

Além do sucesso nacional, ele entrou há pouco para uma parada mundial. “Oh Juliana” ficou na posição 132 da Global 200, de singles, da Billboard, fazendo dele o primeiro brasileiro a entrar na lista –encabeçada por “WAP”, da rapper americana Cardi B.Talvez mais importante do que isso, suas músicas hoje constam nos repertórios –de lives– de gigantes brasileiros como Wesley Safadão. “Oh Juliana” já ganhou versão bregafunk, com o DJ Pernambuco e o MC Dadá Boladão, assim como “Na Raba”, com o MC CL, o que evidencia essa penetração para além do eixo Rio-São Paulo.Hoje, a maior parte da renda dos músicos vem dos shows, algo que Niack ainda não conseguiu fazer. Mas o sucesso de seus dois hits foi tamanho que ele já celebra poder ajudar os pais.”No show, você ganha muito mais. Mas ter dois hits no ‘top um’ e muito tempo em primeiro lugar dá um dinheiro que dá para você se manter. Mudou minha vida da água para o vinho. Tirei meus pais do trabalho, posso dar uma vida melhor para eles. Agora minha vida está caminhando muito bem. É meu trabalho, entende?”