Morador de rua é preso por fazer “gato” para carregar tornozeleira eletrônica 

Um morador de rua foi detido pela polícia, acusado de furto, e ganhou o direito de permanecer em liberdade desde que use a tornozeleira eletrônica. No entanto, sem acesso à rede elétrica, ele fez uma ligação clandestina para carregar o aparelho e acabou detido novamente, dessa vez, por causa do “gato”. 

O pedreiro Fernando Santos Rolim Silva, de 37 anos, disse que usa a tornozeleira eletrônica porque foi acusado de um furto. Ele conta que está desempregado por causa da pandemia e que acabou indo morar na rua. Sem acesso à rede elétrica, ele assume que recarrega o equipamento de maneira ilegal. 

“Não estou aqui porque quero. Devido ao coronavírus, fiquei desempregado. Minha profissão é pedreiro. Eu tenho esposa e uma filha que completou um ano recentemente. Agora estou nessa situação passando por todo esse constrangimento. “ desabafou ele.

De acordo com Fernando, quando ele estava carregando a bateria do aparelho em um ponto de energia da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), no centro de Belo Horizonte, um carro da Polícia Militar se aproximou e o levou, junto com um amigo, para uma delegacia. No local, eles foram ouvidos e liberados em seguida.

— Eu fiquei detido até de madrugada e depois o delegado me liberou. Ele também ficou revoltado com a situação porque não teve um boletim de ocorrência referente a algum tipo de crime contra a lei ou patrimônio.

“ Eles não me deram carregador portatil porque está em falta. Para eu poder carregar em outro lugar teria que ficar com isso conectado dentro de um estabelecimento ou na casa de alguém. Só o fato de estar com uma tornozeleira já gera um preconceito. Ninguém quer ter o constrangimento de ter um morador de rua na sua casa.”

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