Afetada por cheia severa, tradicional feira de Manaus é transferida para balsa

Os feirantes da Feira da Manaus Moderna, que tiveram suas barracas inundadas com a cheia recorde que atinge a capital, foram transferidos para uma balsa na manhã desta quarta-feira (19). A feira flutuante vai abrigar cerca de 220 estandes.

O nível do Rio Negro chegou a 29,77 metros, segundo o Porto de Manaus, e se iguala à segunda maior cheia da história desde o início dos registros, em 1902.

Inicialmente, somente feirantes de peixes, carnes e temperos ficarão na embarcação por estarem na área mais atingida. Os demais continuarão funcionando dentro da área da Manaus Moderna, com auxílio de marombas e contenções.

A feira flutuante será coordenada pela Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semmac). O funcionamento da feira acontecerá nos mesmos horários da Manaus Moderna, de 7h às 17h.

“Os feirantes já irão poder fazer a transferência dos produtos a partir de hoje para que possam logo fazer a comercialização. Foi uma ideia executada em sete dias e deve permanecer aqui por dois a três meses. Após a descida das águas, vamos usar essa estrutura feita de contêiner em outros locais de Manaus para fazer a reforma de algumas feiras que estão em situação difícil”, explicou ao G1 o prefeito de Manaus, David Almeida, que foi inaugurar o local.

Agentes da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana realizarão serviços no local por 24h.

O feirante Luiz do Vale, que trabalha no local há 42 anos, foi um dos contemplados. Ele espera melhoras nas vendas. “Pelo menos ficamos bem localizados agora, na última enchente, fomos lá para trás para umas estruturas de madeiras, os tapurus subindo, mas aqui ficou uma coisa muito melhor, amplo e bom de trabalhar”, afirmou.

Além dele, o feirante Ricardo Costa, de 49 anos, que trabalha na feira desde os 12 anos, disse que as vendas caíram por conta da cheia. Ele tem esperança de que melhore.

“Agora vai melhorar um pouco, com esse flutuante, vamos poder trabalhar tranquilo. As vendas caíram e muito, pois os clientes não estavam indo para a feira devido à água poluída. Se Deus quiser vai melhorar o movimento aqui”, disse.

Todos os anos, a Manaus Moderna, uma das feiras mais tradicionais da capital, é afetada pela cheia. Aos arredores, já foram construídas várias pontes de madeira, viabilizando a circulação dos pedestres. Com a cheia desta ano, as águas do Rio Negro chegaram ao Centro Histórico, atingindo a Praça do Relógio e o prédio da Alfândega.

Maiores cheias do Rio Negro:

  1. 2012 – 29,97m
  2. 2021 e 2009 – 29,77m
  3. 1953 – 29,69 m
  4. 2015 – 29,66m
  5. 1976 – 29,61m
  6. 2014 – 29,50m
  7. 1989 – 29,42m
  8. 2019 – 29,42m
  9. 1922 – 29,35m
  10. 2013 – 29,33m

*Texto e Foto: Eliana Nascimento/G1